DIGORESTE

08 novembro 2005

EDIÇÃO SEMANAL N 01. CUIABÁ, 08/11/2005


OPINIÃO
Começa hoje a circular o MT DIGORESTE que é uma publicação semanal, buscando sempre divulgar, manter e preservar os aspectos importantes do nosso estado. O foco será a cultura, política, história, geografia, tradições, economia, administração, agronegócio, comportamento, ocupação das fronteiras mato-grossenses, esportes, pessoas que contribuíram de uma forma ou de outra, com o progresso e desenvolvimento deste estado de Rondon, enfim das coisas da terra e da gente que ela carinhosamente acolheu e abriga. É um trabalho que irá necessitar muito da colaboração de todos, e para tanto, estaremos abertos as críticas, sugestões e palpites de toda ordem.

POXORÉU E A MODA DE VIOLA

A cidade mato-grossense de Poxoréu, distante de Cuiabá 290 km, situada na região de Rondonópolis, tem uma festa de violeiros que cultua com muito carinho, a conhecida música de raiz, ou moda de viola.Em 2005 aconteceu a terceira edição do evento. A cada ano que passa, a reunião de violeiros e simpatizantes está fortalecendo. Inclusive, muito conhecida no meio sertanejo, tornando-se um rico evento cultural e turístico da região. O Festival de Moda de Viola, é realizado na Casa do Carreiro "Antonio Jacinto", sempre em maio. Dessa forma, aos poucos esse importante traço cultural vai ganhando espaço e projeção. Os realizadores do acontecimento e toda a comunidade de Poxoréu estão de parabéns pela iniciativa.A cultura mato-grossense agradece!!

HISTÓRIA

Os portugueses que residiam em Mato-Grosso no tempo do Brasil Colonial, tinham o apelido de bicudo. Em 1834 quando ocorreu a Rusga movimento nativista de revolta contra os portugueses, um dos gritos de guerra era assim: "morram os bicudos, pés de chumbo". Esse movimento aconteceu em 30 de maio de 1834. Os cuiabanos sentiam humilhados pelos portugueses, até que a inevitável reação surgiu.

NOME DE MATO-GROSSO

O nome Mato-Grosso surgiu em função das matas densas e grandes existentes por aqui. Até 1748 estávamos ligados a Capitania de São-Paulo. Desse ano em diante, já na condição de Capitania de Mato-Grosso, essa denominação foi até a Independência do Brasil, quando passou a Província de Mato-Grosso. Com a chegada do regime da república passou a ser Estado de Mato-Grosso.

JUÍNA – GRANDE DEMAIS

O município de Juína está localizado no nortão de Mato-Grosso, em plena floresta amazônica. Tem uma área de 26.251 km2. Em extensão é o segundo município do estado. É maior que Israel ou o estado de Sergipe. Desse montante de terras, apenas 5% é destinada a atividade produtiva, o restante 95% pertencem aos índios, reserva ecológica e multinacional.

KANGINGIM - BEBIDA BOA PRA TUDO

Kangingin é uma bebida produzida pelos negros no município de Vila Bela da Santíssima Trindade, no extremo oeste do estado, a 500 km de Cuiabá. É o único local de Mato-Grosso que produz o Kangingin. Dizem ser afrodisíaca, licorosa, revigorante e com sabor acre. Afirmam alguns, ser muito boa pra velho e quem está fraco e sem força para o amor. É muita usada nas festas. Essa bebida ainda é herança do tempo dos escravos.

PONTE MARECHAL RONDON - A REDENÇÃO

A construção da Ponte Marechal Rondon, em Cáceres, distante da capital Cuiabá em 220 km, região noroeste de Mato-Grosso alavancou o crescimento dessa importante área do nosso estado. A ponte de 300 metros de extensão sobre o rio Paraguai, entregue em 1961 facilitou o acesso entre a região e com o vizinho estado de Rondônia, na época ainda território federal aumentando a entrada de investimentos na região e consequentemente aumentando a densidade populacional que era muito baixa, com a chegada de novos colonos. Cidades como Mirassol D'Oeste, São José dos Quatro Marcos, Araputanga, Glória D'Oeste, Indivaí, Figueirópolis, Reserva do Cabaçal, Jaurú, Salto do Céu, Rio Branco, Nova Lacerda, Pontes e Lacerda, Comodoro, Curvelândia, Vale do São Domingos e Lambari D'Oeste surgiram na esteira dos projetos de colonização promovidos pelo governo estadual ou pela iniciativa privada. Atualmente a região tem vida própria, com vocação econômica definida, agregando valores e ganhando espaço no cenário econômico. A região é sustentada pela pecuária.

ORIGEM DO NOME GUIRATINGA

Guiratinga cidade mato-grossense, situada na região sul do estado, distante aproximadamente 350 km de Cuiabá, tem esse nome desde 1943. Era conhecida por Lajeado. O nome foi mudado em razão de uma lei federal que buscava evitar que cidades brasileiras tivessem nomes parecidos. Como a Lajeado de Mato-Grosso era mais nova que a outra, houve a necessidade da troca do nome. A população não gostou, mas o jeito era cumprir a determinação legal. Em um concurso aberto para toda comunidade o nome foi escolhido. O vencedor foi Guiratinga Esse nome tem origem da língua tupi, onde guira significa garça ou pássaro e tinga significa cor branca.Sendo assim Guiratinga é a cidade da garça branca.

PIONEIRO - QUILHERME MEYER

Muitas pessoas vieram para Mato-Grosso e adentraram pelo interior, atraídas por oportunidades boas e rápidas de negócios e assim, contribuíram de maneira decisiva para ocupação do território mato-grossense. Guilherme Meyer foi uma delas. Pioneiro, que nos anos 50 chegou por aqui. Gaúcho de Santa Rosa comprou em 1955 do Governo do Estado na calha do rio Arinos, terras na região norte, onde atualmente está a cidade de Porto dos Gaúchos. Para levar seu projeto de colonização, criou a CONOMALI - Colonizadora Noroeste de Mato-Grosso Ltda. Essa organização tinha como objetivo central, implantar e administrar a gleba. Como era descente de alemães e gaúcho, conseguiu convencer pessoas da colônia a comprarem terras na região. Obteve sucesso na empreitada e o projeto foi paulatinamente sendo complementado. No início os problemas eram de toda ordem, tais como presença de índios hostis, falta de estradas e comunicação, ausência de aparelhos comunitários como saúde e escola, além de outros tipos de barreiras que dificultaram o trabalho, mas não ponto de causar desânimos. O projeto vingou, a cidade de Porto dos Gaúchos, importante no contexto de Mato-Grosso está aí como prova de tudo. Foi o fundador da cidade e seu primeiro prefeito. Guilherme Meyer em muito contribuiu na expansão do território e progresso de Mato-Grosso.

DATAS MATO-GROSSENSES

05/05/1865 - Nascimento do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, em Mimoso, distrito de Santo Antonio de Leverger.03/10/1950 - Fernando Corrêa da Costa, da UDN - União Democrática Nacional, vence a eleição para Governador de Mato-Grosso. Derrotou Filinto Muller, do PSD - Partido Social Democrata. Tomou posse em 31/01/1951 e governou até 31/01/1956.29/06/1933 - Instalação da OAB - Ordem dos Advogados do Brasil em Mato-Grosso. É a mais antiga entidade profissional do estado. Salvador Celso Albuquerque foi seu primeiro presidente.08/04/1919 - Executado pela primeira vez o Hino do Estado de Mato-Grosso.15/08/1891 - Promulgação da primeira constituição de Mato-Grosso.30/11/1879 - Inauguração do primeiro serviço de iluminação pública de Cuiabá. Era movido a querosene.

JK NO ARAGUAIA - UM CASO

Quando Juscelino Kubitsckek era presidente do Brasil (1956/1960), foi construída na Ilha do Bananal, atual estado de Tocantins, uma casa para servir de lazer e descontração ao mandatário maior do país. O local ainda é muito bonito, próximo a cidade de São Felix do Araguaia, em território mato-grossense, na região do Baixo-Araguaia. O presidente JK como era popularmente conhecido, sempre passava alguns dias na casa. Com o final de seu governo a casa ficou abandonada. Os índios Carajás, moradores da região, passaram a ocupar a casa presidencial. Todos os pertences e utensílios de uma residência oficial e presidencial ficaram no local. Como os índios não davam a mínima importância aos móveis e utensílios domésticos, muita coisa com o passar do tempo foi quebrando e sumindo. Quando os Carajás ainda ocupavam a casa, em 1989 um grande vespeiro instalou-se no teto. Uma índia, na tentativa de acabar com as vespas, que estavam incomodando resolver acabar com a situação. Com um pedaço de pau, colocou fogo no telhado que rapidamente saiu de controle, formando um grande incêndio. Tudo acabou como num toque de mágica. O pouco que sobrou foi salvo, graças a iniciativa da prefeitura de São Felix do Araguaia. Na biblioteca da cidade, muita coisa ainda pode ser vista do período que JK visitava a Ilha do Bananal.

PALAVRAS MATO-GROSSENSES

No meio do povão, palavras surgem e desaparecem. Algumas demoram um pouco mais. O povo na sua sabedoria, tentando comunicar melhor vai criando palavras e expressões que facilitam o processo de comunicação.Em Cuiabá por exemplo, é uma cidade rica de palavras que foram criadas e resistiram ao tempo. Recentemente a palavra murilinho nasceu no seio do povão, para designar o peixe pacú de tamanho pequeno. Pacú de serra é o peixe botoado. Em Alta Floresta cidade fincada na floresta amazônica, no tempo que o garimpo era a grande atividade econômica, a palavra balária era muito comum. No garimpo qualquer pessoa poderia morrer de balária, isto é, morria na bala ou de malária. Em Porto Espiridião, na região de Cáceres, granada de mão, significa a pinga que é vendida em embalagem pet (plástico). Em Cuiabá a mesma aguardente é conhecida como corróte ou corrotinho.

PISICULTURA MATO - GROSSENSE

Na década de 80, os rios mato-grossenses produziam em média, 25 mil toneladas/ano de peixes. Hoje a produção corresponde a l3 mil toneladas. São exatamente 12 mil toneladas a menos de peixes. Lamentavelmente vai continuar caindo. É uma pena, mas é a realidade. Para compensar essa queda na produção, a solução é a criação do peixe em cativeiro. Mato-Grosso tem aproximadamente 1.500 piscicultores que produzem 17mil toneladas/ano do conhecido peixe de cativeiro, peixe de tanque ou peixe de criame. As estações produtoras de alevinos em nosso estado somam 17 unidades, que produzem 30 milhões de toneladas de alevinos/ano. É na verdade uma enorme base de apoio aos piscicultores mato-grossenses. Dessa maneira a atividade vai consolidando, gerando emprego e renda, fortalecendo a economia de muitas regiões do estado.